Caminho do Tejo…

Em Junho de 2015, realizei o Caminho do Tejo de Lisboa a Fátima, com o objectivo de saber se o que me tinham dito era realmente verdade. Numa viagem pela Europa um amigo e experiente viajante, disse-me que chegar a Santiago era o terminar de um caminho, mas o sentimento que ficamos é, “e agora para onde vou” e que caminhar até Fátima é simplesmente chegar ao final ” inicio e fim”.

Dividi o caminho do Tejo em cinco etapas. A 1 ª etapa têm inicio em Lisboa no parque das nações e mesmo junto a pala está o marco com a indicação do caminho de Santiago e de Fátima terminando em Vila Franca de Xira, são cerca de 26 km.

Esta etapa foi um pouco dolorosa, em virtude do calor que se fez sentir e das poucas sombras que existe neste percurso. O caminho faz-se sempre junto ao rio Tejo até a foz do rio Trancão. De salientar que os marcos do caminho nesta fase do percurso, passam um pouco despercebidos e é preciso ter um pouco de atenção. Em Sacavém, devido as obras é necessário passar por fora de uma vedação para voltar a entrar no caminho, mas não se preocupem que os trolhas dão uma ajuda.

Caminhei sempre sozinho, até encontrar um Sul Coreano, ele estava com uma bolha e dei-lhe um compeed (penso) só para poder caminhar com mais conforto. Caminhamos durante algum tempo e apresentamos-nos, entretanto em Alverca, separamos-nos, eu parei para comer alguma coisa e ele avançou, só o vi mais à frente a fazer companhia a uma família de americanos.

Neste primeiro dia, parecia que o caminho nunca mais terminava e em Alhandra, cheio de calor, tomei banho num jardim que estava a regar, “soube-me a mil”, mas no final do dia, sofreria do que tinha feito, não me sequei bem e fiquei assado na virilha, bem, não estão a ver, era Halibut com fartura, além de bolhas nos pés. Fiz o caminho de Santiago todo e nem uma bolha e neste caminho, logo no primeiro dia bolhas, bem foi do pior. Acho que é a carga que pomos nas coisas. Bem, mas depois de umas boas horas a caminhar, chego a Vila Franca de Xira e posso repousar um pouco depois de um banho. Fiquei instalado http://www.booking.com/hotel/pt/hostel-dp-vila-franca-xira.pt-pt.html, o Hostel era novo e fui bem acolhido, limpo e tranquilo, foi porreiro para descansar. Após o descanso do guerreiro dou uma volta por Vila Franca, bebo umas cervejas e preparo-me para jantar e dormir, porque cedo iniciava o caminho rumo a Azambuja.

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A segunda etapa leva-me até a Azambuja e com o calor que estava, as bolhas e a virilha assada, sabia que ia sofrer e se sofri. Foram cerca de 27 km bastante duros, só com alcatrão.

O caminho do Tejo é uma alternativa excelente e segura  ao contrário do caminho feito por muitos peregrinos durante as peregrinações a Fátima, pela estrada o que é muito perigoso e todos os anos resulta em muitas mortes infelizmente, mas esta etapa, não temos escolha e é só alcatrão até a Azambuja e é tenebroso, além do alcatrão estar a ferver, são camiões e camiões a passar. Eu nem quero imaginar os grupos de pessoas que passam cinco dias na berma da estrada a caminhar com ruído e poluição e não optam por um caminho seguro como o do Tejo, é incrível.

Não tenho muito para falar desta etapa, porque acho que nem vale a pena, o que era bom, era existir uma alternativa a este alcatrão.

Chego a Azambuja e encontro de novo o Sul Coreano, que ficou a dormir no Albergue de peregrinos, eu como estava um farrapo, fiquei na residencial flor da primavera, consegui um quarto, muito bom por sinal, limpo e fresco. A senhora, dona do espaço fez um preço porreiro e fiquei com um quarto só para mim e descansei muito bem nesse dia.

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A terceira etapa são pouco mais de 30 km e iniciam-se na Azambuja e terminam em Santarém. Não sei porquê, mas queria chegar a Santarém. Quando saio de manhã bem cedo, ainda de noite a senhora  da residencial, perguntou-me, por onde ia, se pelo campo se pela estrada e eu respondi que ia elo campo, que estava a fazer o caminho do Tejo, ela nem sabia que tinha nome e disse-me, não vás por aí, vais sempre sozinho, vai pela estrada e se quiseres eu levo a tua mala até Santarém, porque vou para lá. Eu respondi,não, mas obrigado. Eu pensei para mim, se estas pessoas não pensam no perigo que é caminhar bela berma da estrada, mas reflecti melhor, elas pensam mas pensam mais no negócio que envolve tudo isto.

Influenciado ainda pelo que me disse, ainda caminho pela estrada e não sabendo porquê, penso para comigo, do que tens medo, vai pelo caminho que traçaste, esse é o teu caminho e voltei atrás, passo para o outro lado da estação de comboio da Azambuja e volto ao verdadeiro e seguro caminho.

Não me arrependo, apesar de caminhar sozinho todo o tempo, foi das etapas mais marcantes e bonitas, cheias de campos trigo e outras plantações. Nesta etapa passa-se por localidades muito giras, mesmo junto ao rio, que são Reguengo e Valada, Porto Muge vem logo a seguir com 16 km sem povoações e sem qualquer apoio, é necessário abastecer de água, nas várias fontes que estão no caminho, abasteci a minha quando vi dois indianos de bicicleta a encher garrafões, troquei umas palavras com eles, trabalhavam na apanha do tomate e em tudo o que fosse preciso, desejaram-me boa sorte e partiram para o trabalho.

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Fiz uma primeira paragem em Valada e encontro a família Americana, eles iam até Santiago de Compostela, mas não iam passar em Fátima. Em Santarém o caminho divide-se e quem quer ir para Santiago deve tomar outro rumo, ou então se decidirem ir a Fátima, existe o caminho Nascente, que liga Fátima a Tomar e vice versa, é um caminho bidireccional que permite voltar ao caminho para Santiago de Compostela, parra quem quiser visitar o Santuário.

Faço o caminho bastante tranquilo, o tempo ajuda, e antes de chegar a Santarém encontro um senhor num jipe que me aborda e pergunta se quer água,se está tudo bem,se vem mais alguém pelo caminho. Este senhor é o dono do N1 Hostel Apartments and Suites , Santarém, Por , onde acabei por ficar hospedado. O senhor foi muito simpático e naquele exacto momento, garantiu-me uma cama a um preço especial para peregrinos ( é necessário ter credencial do peregrino). Como os peregrinos começam muito cedo a caminhar, o Hostel disponibiliza o pequeno almoço do peregrino, que é colocado junto a porta do quarto bem cedo. O Hostel era novo e impecável, cheio de peregrinos, para Fátima e Santiago, não me arrependi e recomendo.

Por coincidência um dos meus companheiros de quarto era o Sul Coreano que havia encontrado na primeira etapa e um Espanhol, que iriam ser a minha companhia até final. A partir daqui, faltam duas etapas que vou contar nos próximos artigos.

Bom caminho…

 

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